O escritor premiado e o acaso

Quase todos os dias conto quantos exemplares de “O escritor premiado e outros contos” ainda estão à venda na livraria onde trabalho (no momento, felizmente, não há exemplar algum; estamos esperando uma nova remessa do livro). O que começa com a ansiedade e o desejo de descobrir que alguém comprou o livro, geralmente acaba com o enfado de saber que ninguém o levou para casa. Digo “enfado” porque não posso chamar de decepção, haja vista que “O escritor premiado” teve uma saída muito boa antes, durante e depois de seu lançamento, muito por culpa de amigos e parentes, é claro de saber que ninguém o levou para casa.

(Aliás, aproveito para fazer um novo pedido de desculpas público para quem comprou o livro antecipadamente e ainda não recebeu. Todos receberão ainda este mês de dezembro, salvo algum atraso de entrega dos Correios. E agora não é mais compromisso: é promessa.)

Não é fácil trabalhar na livraria onde seu livro é vendido. Afinal, todos os dias você se depara com uma realidade que não é apenas a do seu livro, mas de vários títulos, e, sem querer generalizar mas já generalizando, da literatura brasileira.

A grande maioria dos leitores está interessada em ler best-sellers, sejam eles romances açucarados, livros de suspense, de vampiros ou de História. Raros são os leitores que dedicam algum tempo a fuçar as prateleiras reservadas para os autores nacionais e comprar alguma coisa que não seja Clarice Lispector ou Fernanda Young. Desconte-se aí os Machado de Assis, Jorge Amado e outros clássicos cujas leituras são obrigatórias em colégios e vestibulares. Vez por outra acontece um milagre e alguém compra um autor contemporâneo – vivo ou não – menos conhecido, mas de muita qualidade, ou aceita alguma indicação fora do chavão. É raro, mas acontece. E, quando acontece, a chama da esperança que carrego comigo de ver a literatura brasileira mais lida e mais comprada ganha alguma força.

Por que comprada, você pergunta, já que se trata de arte, e o dinheiro não deve ser nunca o objetivo? Ora, simplesmente porque, para ser respeitada e para que o interesse das editoras seja maior, é preciso que a literatura nacional seja consumida. Sem isso, sem dar lucro, nossos autores sempre serão colocados em segundo plano. Digo, em quinto plano.

Foi por essas e outras que fiquei surpreso e feliz quando soube, dias atrás, que uma boa alma comprou “O escritor premiado e outros contos” por acaso. Não sei quem ela é, mas não é minha amiga nem me conhece. Ela simplesmente gostou da orelha, viu que se trata de um autor local e resolveu levar o livro para casa. Colegas meus me contaram isso e a sensação que tive deve ter sido a mesma que um livro teria ao ser escolhido por um leitor, se livros tivessem sentimentos.

***

Em tempo: já que falei em compra, “O escritor premiado e outros contos” agora pode ser adquirido via sites da Livraria da Travessa e Livraria Cultura.

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